Vale Tudo neste domingo, na UBAA União Bandeirante de Aeromodelismo, em São Paulo, recebe mais uma vez e com novas regras a única prova de duração de vôo na qual os modelos têm de voar até acabar o combustível... ou a bateria. Nas outras provas de duração o limite de tempo é de 10 minutos. Na Vale Tudo, 10 minutos é saída falsa, diz Affonso Arantes, o criador da prova! A decolagem é do chão e a pista é de grama!
A Vale Tudo (VT) foi criada em 1996 como uma prova de duração para aeromodelos propulsionados por qualquer tipo de motor, na época divididos em duas categorias: combustão interna (gasolina, glow, diesel, jatos etc.) e todos os outros (elétricos, elástico, CO2, ar comprimido etc.). Durante muitos anos ela foi disputada nessas duas categorias – com alguns modelos equipados com motor glow ou diesel, mas a grande maioria com motores elétricos. Em 2004, só se inscreveram modelos elétricos e, a partir do ano seguinte (9ª VT), a prova passou a ser só para aeromodelos propulsionados por motores elétricos.
Como o regulamento da prova sempre foi muito simples, praticamente só restringido o peso das baterias utilizadas, a tendência foi que os modelos participantes cada vez mais se tornassem planadores de alta performance, capazes de fazer companhia aos urubus em correntes térmicas. Ora, provas de planadores é o que não faltam atualmente, pois são realizadas quase todas as semanas, nas várias categorias (F3J, minitérmicos, HLG/DLG etc.), isto porque os planadoristas formam o grupo mais ativo do aeromodelismo esportivo nacional, competindo não só em várias cidades do país como também em eventos internacionais. Portanto, eles não necessitam de mais torneios para se manterem felizes.
Por esse motivo, decidimos reinventar a Vale Tudo, transformando-a em uma prova de autonomia de vôo para aeromodelos com trem de aterragem – capazes de decolar do chão – e com restrições de área de asa e peso para que eles se diferenciem dos tradicionais caçadores de térmicas. Será ainda uma prova de duração, mas almejamos que a maior parte do vôo seja feita com o motor funcionando. Confraternizar com os urubus nas alturas talvez vá ficar um pouco mais difícil!
A primeira disputa provavelmente será em maio, no campo da União Bandeirante de Aeromodelismo (UBA), em São Paulo, que tem pista de grama – atenção ao tamanho das rodas! A segunda será em setembro, na União Campineira de Aeromodelistas (UCA), em Campinas, SP, que tem pista de asfalto – moleza! Vejam a seguir o regulamento.
Regulamento da Nova Vale Tudo
I - Tipo de ProvaProva de duração de vôo para modelos de asa fixa, radiocontrolados, propulsionados por motor elétrico.
II - Características dos modelos1 - Poderão se inscrever monoplanos com envergadura de asa entre 90cm e 180cm e com peso mínimo (em gramas) obtido multiplicando-se a envergadura por 4 (quatro) – assim, um modelo com 100cm de envergadura deverá pesar, no mínimo, 400g; um modelo com 150cm deverá pesar 600g ou mais; um modelo com 180 cm deverá pesar 720g ou mais, e assim com qualquer outro valor intermediário.2 - Os modelos deverão possuir trem de aterragem fixo – não podem ser retráteis, nem descartáveis – e deverão ser propulsionados por motor(es) elétrico(s) alimentados por bateria(s) própria(s).3 - As baterias deverão ser de NiCd, NiMH, LiIon ou LiPo e os packs poderão conter qualquer número de células, sendo o seu peso máximo de 250g para as baterias de NiCd e NiMH e de 80g para as baterias de LiIon e LiPo (com uma tolerância até 5g para compensar o peso dos fios e conectores).4 - Os modelos deverão dispor de pelo menos três tipos de controle: (1) leme ou aileron, (2) elevador e (3) aceleração do motor. Não há limite para o número máximo de controles.
III – Organização da Prova1 - Os modelos deverão decolar do chão, com direito a 2 (duas) tentativas num intervalo de 7 (sete) minutos. Se não conseguir decolar nas duas tentativas, poderão ser lançados com a mão – dentro de um intervalo de 3 min –, mas sofrerão um desconto de 10% no tempo de vôo.Se ainda não for bem sucedido, as três tentativas serão consideradas Saída Falsa – a única a que tem direito em toda a prova.2 - Cada concorrente deverá realizar 1 (um) vôo, sem limite de contagem de tempo. Se o concorrente realizar um vôo com menos de 10 (dez) minutos de duração (Saída Falsa), ele terá direito a uma nova tentativa dentro de 15 minutos – se não relançar o modelo nesse intervalo, será considerado o tempo registrado anteriormente.3 - Será vencedor o concorrente cujo modelo registrar o maior tempo de vôo. O Juiz da Prova, entretanto, poderá interromper o fly-off caso as condições ambientais ponham em risco a integridade dos modelos – os que estiverem em vôo nesse momento serão considerados empatados e a classificação será feita por sorteio.4 - Os modelos deverão pousar na pista de decolagem. Se pousarem na área (gramada ou de escape) ao redor da pista sofrerão um desconto de 10% no tempo de vôo registrado. Se descerem fora da área gramada ou de escape, obterão 0 (zero) de tempo de vôo.
IV - Disposições Gerais
1 - Os modelos e seus packs de baterias serão examinados e pesados antes do vôo. Não serão admitidos na prova modelos com baterias que não podem ser removidas.
2 - Todos os componentes eletrônicos (Rx, ESC, servos e baterias) deverão estar embutidos na fuselagem ou na asa do modelo.
3 - Nada poderá se desprender do modelo durante o vôo. Se isto ocorrer durante a Saída Falsa o concorrente poderá aterrar o modelo e lançá-lo novamente – a contagem de tempo se inicia no momento do segundo lançamento. Se o fato ocorrer depois de 10 (dez) minutos de vôo, o concorrente deverá abandonar a prova.
4- Vários modelos poderão ser lançados simultaneamente, desde que não haja coincidência de freqüências de rádio e haja disponibilidade de cronometristas. Estes lançamentos serão anunciados com 10 (dez) minutos de antecedência.
5 - Não será permitida a troca de pilotos durante a prova, a não ser em situações emergenciais.
6 - Os eventos não previstos neste regulamento serão resolvidos pelo Juiz da Prova, ouvidas as partes interessadas.
Créditos: Hobbylink